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| Pioneiras do Futebol Feminino no Brasil recebendo homenagem na Câmara Municipal de Araguari em 2010. Foto: Teresa Cunha |
A contagem é regressiva para a
Copa do Mundo na França, que começa 7 de junho de 2019.
O Futebol Feminino no Brasil
para chegar ao primeiro Mundial da Fifa em 1991 teve a participação de várias
personagens importantes para a modalidade.
Para que nomes como Marta e
Cristiane subissem num pódio olímpico, para que Sissi, Elane, Marisa, Pretinha
e muitas outras conquistassem a primeira medalha numa Copa de Mundo Feminino de
Futebol de Grama, houveram mulheres que abriram o caminho, em gramados
oficiais, e conquistaram respeito em pleno Anos Dourados.
Na época o Brasil era
governado por Juscelino Kubitschek, Brasília ainda estava em construção e foi
inaugurado o Palácio da Alvorada. Era 1958, ano da fundação da Nasa, do
lançamento do primeiro jogo eletrônico ( o tênis para dois), também nasceram
cantores famosos nesse ano, Madonna e Michael Jackson.
O presidente Juscelino inaugurou o primeiro reator
nuclear do Brasil e da América Latina, a seleção brasileira masculina
conquistou o primeiro título brasileiro da Copa do Mundo de Futebol Masculina
na Suécia, o sonho de consumo quando se tratava de carro, era o Impala Rabo de
Peixe; nos rádios tocavam rock in roll e baladas românticas como as de João
Gilberto com a música chega de saudade, Fascinação na voz de Carlos Garlhado,
Volare cantado por Domenico Modugno, Ouça na voz de Maysa Matarazzo, Sereno interpretado
por Paulo Molin, Cabecinha no Ombro na voz de Alcides Gerardi, Little Darling cantada
por Lana Bittencourt. Muitas dessas
músicas foram dançadas no clube Cairo de Araguari que organizada festas e
bailes, e garotas e moças da pequena cidade do Triângulo Mineiro iam com suas
famílias aproveitar sua juventude com alegria.
Foi nessa época que a cidade de Araguari protagonizou
através de uma ideia inovadora, uma campanha que marcou história nos gramados
oficiais do Brasil.
Moças jogando bola. E não eram apresentações circenses,
elas jogavam pra valer. Não estavam ali somente como enfeites bonitos a correr
atrás de uma bola. Havia técnica e leveza durante as disputas.
Isolina Soares era então diretora
de Grupo Escolar Estadual chamado Visconde de Ouro Preto. Que estava passando
por dificuldades financeiras. Com
intenção de fazer reparos na escola e também ajudar no natal das crianças
carentes que era promovido pela escola, Isolina procurou Ney Montes, que era um
sócio fundador e um dos diretores do Araguari Atlético Clube, pedindo ajuda
para um jogo beneficente. Ney disse que um jogo normal não daria renda
suficiente, mas teve um ideia brilhante – promover um jogo de futebol feminino
nos gramados do Araguari, e precisaria do apoio da diretora para promover essa
ideia pela cidade, fazendo assim então uma peneira para selecionar moças.
Foram selecionadas 26 garotas, estudantes do ginásio e
secundaristas, onde formaram o time A e B para disputarem a primeira partida
representando o Araguari Atlético e o Fluminense de Araguari. A
partida foi um sucesso e lotou o Estádio Vasconcelos Montes em 19 de dezembro
de 1958.
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| FOTO: arquivo Ney Montes |
A
notícia da nova modalidade foi para na imprensa nacional e as meninas não
demoraram a virar notícia nas Revistas Manchete Esportiva e O Cruzeiro.
A
partir daí foram convidadas a fazerem partidas em outras cidades como como
Uberlândia, Buriti Alegre-GO, Ituiutaba (MG), Varginha (MG), Goiânia,(GO) Belo
Horizonte(MG) e Salvador (BA).
A
intenção de Ney Montes era oficializar o time e incentivar a modalidade no
Brasil, e chegou a receber um convite para o time jogar no México, mas em
meados de 1959 a equipe feminina do Araguari foi desfeita, devido a um pedido
oficial enviado pelo CND – Conselho Nacional dos Desportos.
O
Araguari Atlético Clube no quase um ano de jogos pelos gramados oficiais do
Brasil não sabia do Decreto Lei que proibia a modalidade, e nem mesmo o órgão
oficial da época CND, estava a par do fadado decreto, pois havia autorizado
todos jogos até então.
Até
que um personagem da velha guarda da época de Getúlio Vargas lembrou do decreto
e alertou a CND que enviou o ofício solicitando a suspensão imediata dos jogos.
Após receber o oficio da proibição
Ney Montes se viu obrigado a engavetar o sonho de oficializar o time do
Araguari e incentivar a criação outros times pelo país.
Ney nunca entendeu o preconceito de
que futebol não era coisa para mulher.
O sonho de Ney Montes de ver novamente as atletas reunidas só foi realizado quatro anos após sua morte em 02/08/2004, numa matéria especial do programa Esporte Espetacular.
VEJA O VÍDEO


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